Um convite a resistir

Dados de um relatório publicado pelo Banco Mundial revelam que o Brasil levará 260 anos para atingir nível de leitura de países ricos. A publicação apenas confirma o que o escritor e jornalista Jean Wyllys destacou em sua fala durante a Fligê, “que o brasileiro, em sua maioria, não tem o hábito da leitura”.

Ele participou da atividade Rota de Palavra com a temática Por isso uma força, na qual imergiu por vários assuntos como preconceito racial e de gênero, religião, música, política e, claro, literatura.

Para falar sobre sua relação com os livros, Jean narrou episódios da infância, adolescência e juventude e revelou que os livros foram importantes para fugir do mundo hostil. Na ocasião, ele disse que o preconceito vivido foi lido e entendido através da leitura. “A literatura tem papel enorme na resistência”, completou.

A plateia, que disputava cada espaço do Centro Cultural, vibrava com as colocações do escritor baiano que participa desde a primeira edição da Feira Literária de Mucugê, proporcionando intensas reflexões sobre a atual situação do país e do povo brasileiro.

Jean Wyllys destacou o tema da Fligê, Literatura e resistência: a vida nos rastros da palavra, como algo encorajador por parte dos organizadores. “Ter escolhido esse tema, nesse momento de ruptura democrática, falar em resistência, é importantíssimo pra valorizar o papel da literatura, para que resista às violências contra as minorias. Vida longa para a Fligê!”

“Minha formação seria diferente se eu tivesse tido a oportunidade de participar de momentos como este e de feiras como a Fligê, em que graças a pessoas como Jean Wyllys e Conceição Evaristo me fazem redescobrir minha negritude. Parabéns e gratidão, essa conquista é muito válida!”, declarou, emocionada, Georgia Nunes.

Texto: Joana Rocha | Fotos: Vinícius Brito


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